08/03/2012

Equal 13th

Ele surfa bem e há-de vingar mas não o ponham nas vossas equipas para Bells...

04/03/2012

Taj vs Adriano

Após mais um heat "polémico" entre Taj Burrow e Adriano de Souza, decidi dar também a minha opinião. Pois bem, antes de mais nada, o Mineirinho era o meu favorito à vitória - aliás, tinha-o dito no Twitter no início da noite. Estava a apostar numa final entre ele e o Jordy, final que o brasileiro ganhava fácil. Adriano estava a surfar com velocidade, confiança, sempre motivado e de forma dinâmica e activa. Jordy estava confiante e a levantar muita água. Contudo, como já se sabe, quem acabou por fazer a final foi Taj e Adriano.

Na minha opinião, Taj ganhou a final justamente. O 9.43 que ele recebeu, a melhor nota do dia, premiou, na minha opinião, aquela que foi mesmo a melhor onda surfada do dia. Fui rever os heats no Heat Review do campeonato e vi todas as ondas que contaram para o score final dos surfistas. O 9.43 foi, efectivamente, a melhor onda surfada durante o dia (vamos excluir as miúdas porque se as incluirmos, Steph foi a melhor surfista do dia...e dos eventos). Este é o primeiro ponto que queria abordar.

Segundo. Muitas pessoas opinam que o aéreo final do Adriano devia ter sido uma nota excelente e o suficiente para lhe dar a vitória. Discordo. O aéreo foi bem julgado. Para provar o meu ponto, sugiro que vão ver a nota 9 do Mineiro no heat 1 dos quartos-de-final contra Owen Wright. Um aéreo alto e excelente, na primeira secção numa onda com tamanho e de set, seguido de várias manobras boas e outras fortes, incluindo um aéreo para terminar. Isso sim é uma nota excelente e, aliás, devia ter sido mais do que nove. Tendo isto em mente, um aéreo bom, depois de trabalhar a onda, seguido de uma batida quilhas para fora e um reentry, nunca podia ser, na minha opinião, uma nota na casa do excelente e, como tal, não podia ser o suficiente para dar a vitória ao surfista da maior torcida na praia (o Adriano, não o Taj...e estamos na Austrália!!). Depois, podem inclusivé comparar com os aéreos dados pelo Josh Kerr na meia-final entre ambos, na primeira onda, um 4.83!

Terceiro, podemos inclusive comparar o 7.60 com um 8.0. Como podia ser o 7.6 maior que o 8.0 se esta onda foi, manifestamente, melhor? E se pensarmos muito, o 7.6 quase que parece inflacionado...

Seja como for, parabéns ao Taj e ao Adriano que mostraram muito bom surf e têm uma das maiores rivalidades no Tour hoje em dia. Num ataque ao título aposto mais no brasileiro que no Taj, visto que Mineiro consegue manter melhor o foco que o surfista da West Coast australiana.

Concordam comigo? Não? Ainda bem! Digam de vossa justiça.

27/02/2012

Partilha de uma dica no julgamento de surf

Antes de mais nada, um "disclaimer": embora tenha o curso de juiz de surf, nunca o pus em prática, ou seja, nunca fui juiz numa prova. Quando o tirei, na Federação Portuguesa de Surf, o meu objectivo era apenas aprender mais sobre surf e sobre o julgamento deste desporto que me deu...tudo. Assim, neste post, apenas partilho alguns ensinamentos e conselhos que me foram transmitidos por juízes e instrutores de créditos firmados, no tal curso.

Há já uns tempos que tenho vindo a reparar numa tendência dos internautas dos campeonatos de surf. Naturalmente, sendo um desporto competitivo que se rege por notas - scores, a tendência de qualquer fã, eu incluído, é tentar desempenhar o papel de juiz de surf e avaliar as ondas que surfistas como Slater, Parko ou Taj fazem à nossa frente. Em nada difere de no futebol dizer "aquilo não era falta!" ou "eu tinha dado cartão vermelho ao Bruno Alves". O que me espanta é quando a nossa avaliação e julgamento entra num campo de uma minúcia que, na minha opinião, é quase impossível. Muitas vezes oiço e leio coisas do tipo "aquilo é um 6.83" ou "ele não saiu limpo do tubo, portanto é um 9.47, não um 10". Atenção, não condeno este tipo de afirmação, que às vezes também faço, apenas a acho algo irrealista visto que muitas vezes os valores decimais são conseguidos por causa da média, não por ser assim que o juiz avalia a nota. Embora, faça-se a ressalva, por vezes isto acontece e já lá vamos.

Não é novidade nenhuma que o julgamento se processa da seguinte forma: três ou cinco juízes avaliam uma onda, escrevem a nota no papel e depois no dispositivo, a média aritmética é calculada pelo computador, saindo depois daí a nota final (em caso de cinco juízes, "riscam-se" a nota mais alta e baixa, fazendo-se a média aritmética das restantes).

Os conselhos que queria passar para vocês, tal como foram passados a mim, são sobre o acto do julgar, o momento em que o juiz, depois de ver a onda, pensa na nota. Verdade seja dita, cada juiz tem a sua forma de chegar à nota mas uma forma simples de organizar o pensamento é, antes de pensar nos valores absolutos, pensar no grupo em que se encaixa a onda. Vejam em baixo a escala usada pela FPS e ASP:

Má (Poor) - de 0,1 a 1,9
Fraca (Fair) - de 2 a 3,9
Média (Average) - de 4 a 5,9
Boa (Good) - de 6 a 7,9
Excelente (Excellent) - de 8 a 10

Ou seja, idealmente, o juiz, e vocês internautas, antes de lançar a nota, pensam no grupo: "Okay, vi a onda e acho que entrou no campo do excelente". Depois de ter escolhido o grupo, então sim o juiz (ou vocês), pensam numa nota. O que se passa depois, daquilo que me apercebi, depende de juiz para juiz. Uns preferem saltar de 0.5 em 0.5, outros não se importam de entrar pelos 0.2 ou 0.3.

Aquilo que eu tento fazer quando olho para as ondas num campeonato é tentar pensar num sentido piramidal. Portanto, idealmente, penso no grupo em primeiro lugar. Depois, tento pensar onde a nota se enquadra nesse grupo e por aí adiante. Vamos a um exemplo:

"Okay, eu acho que aquela onda foi Boa (Good). Agora, foi mais próxima do Média ou Excelente? Do Excelente. Então, já sei que o score vai ter que ser acima do 7. Foi mesmo perto do excelente? Então vamos chutar a nota para cima, 7.5."

Agora imagine-se dois surfistas, A ou B. O A apanhou uma onda e teve um score de 7.5. O B acaba de fazer uma onda. Ambos os surfistas surfaram aquela onda de forma similiar, usando o mesmo tipo de manobras nas mesmas secções, contudo, o surfista B arriscou menos e na primeira secção, onde o A pôs as quilhas de fora, o B apenas deu com o tail. A minha leitura, enquanto mero fã, seria que o B teria uma nota inferior. Apenas 7 pontos, por exemplo.

Foi aqui que surfistas como Dane Reynolds forçaram a ASP a actualizar o critério, obrigando os juízes a soltar as notas para apenas uma ou duas manobras. O surfista C fez uma onda com várias manobras, bem executadas, nas secções correctas e ligadas entre si, embora sem risco. Teve um 6.5. O surfista D fez apenas duas manobras mas a primeira, na primeira secção, foi uma manobra arriscada, inovadora e criativa. A seguir, fez uma manobra "normal" e bem executada. Teve um 7.5.

Atenção!!! Em cada dia de competição, logo no primeiro heat, é definida a "onda-padrão", uma onda que vai orientar o julgamento até que o Chefe de Juízes, seja porque motivo for (normalmente condições do mar), entenda que deve ser alterada. Imagine-se um dia em Teahupoo com um swell a cair a grande velocidade e que começa com tubos de 4 a 6 pés mas que com o avançar do dia se transforme em paredes de 2 e 3 pés. Não pode ter a mesma "onda-padrão", correcto?

Espero ter ajudado a melhorar as vossas análises e se por acaso houver aí algum juíz que encontrar um erro ou queira dar uma opinião, é mais que bem-vindo.

Mais umas ressalvas, há mais alguns pormenores e detalhes no julgamento (a importância da memória e de memorizar as ondas que cada surfista fez ao longo da bateria - ainda que os juízes tenham acesso aos replays) que, para facilitar a explicação, não expus aqui. São, na minha opinião, pormenores que apenas interessam a quem julga profissionalmente mas que vocês podem encontrar no livro de regras das ASP. Não se esqueçam que os juízes são profissionais e fazem isto em segundos, pelo que é perfeitamente normal demorarmos mais tempo do que eles a dar as notas. Atenção, a maior ou menor velocidade a que um juiz dá a nota não significa que ele é melhor ou pior juiz.

24/02/2012

Antevisão do Quik Pro Gold Coast

"Spot do evento? Snapper Rocks é o principal, Duranbah e Kirra são os backups.

Quem vai estar em prova? Os 34 melhores e as 18 melhores surfistas do Mundo, mais um wildcard (Dane Reynolds) e os vencedores dos Moskova Trials (Garrett Parkes e Philippa Anderson).

Quem são os campeões em título? Kelly Slater e Carissa Moore.

Rookies? Kolohe Andino, Yadin Nicol, Malia Manuel, Lakey Peterson, Sage Erickson, Justine Dupont. 

Locais de Snappers no Tour: Mick Fanning, Joel Parkinson, Josh Kerr, Stephanie Gilmore.

Quem está em altas? Julian Wilson, Joel Parkinson, John Florence, Sally Fitzgibbons.

Quem precisa de um resultado? Mick Fanning, Bede Durbidge, Jordy Smith, Adriano de Souza, Stephanie Gilmore.

Apostas seguras: Owen Wright, Sally Fitzgibbons.

Quem pode surpreender? Julian Wilson, John Florence, Yadin Nicol, Kolohe Andino, Dane Reynolds, Lakey Peterson, Malia Manuel.

Darkhorse? Brett Simpson, Alejo Muniz, Tyler Wright, Laura Enever.

Lesões (conhecidas)? Dusty Payne."

E leiam mais aqui. E quero saber, concordam?

21/02/2012

Excepção musical

Eu não costumo postar aqui músicas mas esta, nova, obrigou-me a abrir os horizontes aqui do blog. Uma fuga ao surf, de vez em quando, não faz mal nenhum..